Os bancos do ônibus
- Dallas Bernieri
- Nov 10, 2020
- 1 min read
No banco do ônibus, sento
ponho meus fones de ouvido
abro o spotify
me desconecto do mundo
No banco do ônibus, choro
olho pela janela e vejo as pessoas caminhando
vejo as pessoas felizes
cada uma com sua destinação
mas eu, apenas sentado
No banco do ônibus, durmo
tenho sonhos sobre meu futuro
os sonhos de toda criança
sonhos que logo farão jus ao seu nome
pois sumirão e jamais acontecerão
No banco do ônibus, surtei
sem esperanças, invejo as pessoas que observei antes caminhando
afinal, estou num ônibus sem ponto de parada
um ônibus que jamais me levará a lugar algum
enquanto essas pessoas são livres de escolher onde vão
mas eu não
No banco do ônibus, eu morri
nunca mais vi a luz do dia novamente
a única coisa que lembro é o reflexo do meu rosto na janela
e do cheiro de cadáver da pessoa ao lado
que, que nem eu, morreu desesperado e
amedrontado.





Comments