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Autorreflexão/ Persistência da memória, palavras novas, a morte aflora

  • Dallas Bernieri
  • Jun 18, 2021
  • 1 min read

Dançando no seu quarto

Joelhos quebrados,

Mente cansada

Você apenas reflete sua face pálida no vidro embaçado da ampulheta

Que em cima da estante, ali repousa


Entre decepções e satisfações

O tempo derrete em suas mãos

Como tinta fresca, gasta descontroladamente na forma de respingos no chão

Daquilo que um dia você enxergou como esperança em vão


Esperança derramada nos anos úmidos ao qual vivenciou

Anos de convicção que logo se tornaram tempos de pipa

Voando livremente na atmosfera de seus ideais, porém presos a um laço de fita


Sem controle, suas lágrimas escorrem rapidamente sobre a mesa

Como a persistência da memória de Dali

Que logo parou de persistir

E sobre a mesa ali morreu


Assim você descansa

Deitado na sua cama, sem nem saber que está descansando

Enquanto os outros pensam que você está se espreguiçando

Pois deixe-os pensando


Pois apenas você sabe que quando tudo acabar e não tiver mais tinta para respingar

E seus joelhos, estraçalhados, não poderão mais dançar

Você estará pronto para o embarque


Então se prepare garoto, pois nem tudo é ornado de medo

Nem tudo é branco ou preto

Nem tudo é sangue derramado sem intento


Dance enquanto puder dançar, apenas não deixe sua mente te matar

Ao embarcar no barco que suas emoções irão te levar.

 
 
 

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