A valsa do cadáver
- Dallas Bernieri
- Mar 16, 2022
- 1 min read
"Beije-me"
Foram as últimas palavras que ouvi de você
E mesmo eu estando inconsciente
Eu o beijei
Encostei os meus lábios pútridos nos seus lábios vermelhos
Direcionando minha paixão ao som lilás de sua voz
E aproximando minhas mãos em direção às suas nádegas mornas
Eu fiz tudo
Mas mesmo assim fomos nos desintegrando aos pouquinhos em sua cama
Seria isso tudo culpa do desinteresse?
Afinal, ambos pensávamos que tínhamos química...
Acho que isso era culpa do excesso de interesse
Interesse em matar nossa carência, que logo nos matou debaixo do edredom
Interesse que nunca deixou de ser apenas desespero
Desespero que parecia ser tão lindo e harmonioso quanto as melodias de Chopin, mas não eram nada como tais.
Pois eis a ironia
Agora, esperamos, desesperados
Esperamos que de alguma maneira tudo melhore
Mas para mim, pelo menos, não irá
Sou apenas um cadáver
Um cadáver dançando valsa
Ao som do próprio desespero, sozinho, na sala de sua casa
Esperando, perdido, assim como você.





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